
Tempo-Corrente
Abril 2, 2008É.. Minha falta de tempo (e talvez de um tanto de comprometimento) para escrever o artigo a seguir foi tal que há de se achar o tema um tanto quanto anacrônico, com plausível razão. Ora, é que ele já estava pronto (em estado bruto, deve-se dizer) em dezembro, era pra ser postado antes do ano novo! Mas o atraso não lhe foi prejudicial, no fim. Na verdade ele até se tornou exemplo prático do ponto a qual desejei alcançar no texto! Leia e entenda. E a princípio, o projeto é postar artigos quinzenalmente aqui no blog. Espero que os leitores já fregueses dO Tempo Não Pára os leiam com tanto gosto quanto tenho eu a escrevê-los! Vá lá o primeiro:
“Quando convidado a escrever pr’O Tempo Não Pára, além de orgulhoso e agradecido pelo reconhecimento, é claro, senti-me realizado. Realizado, pois escrever sobre o tempo, um assunto tão plural, me excita muito. O tempo me fascina de tal modo que decidi colecionar ampulhetas. Olhá-las e perceber o tempo me faz sempre pensar no que exatamente consiste este. Algo subjetivo, sem dúvida, mas algo também substantivo. Ou será que o tempo não passa de uma ilusão? Há como conhecer algo sem que exista o tempo? Qual a relação entre o tempo e o movimento? Se o tempo for algo realmente transversal à existência, é possível que algo exista fora de um tempo? Se sim, será possível viajar para frente e para trás numa possível linha temporal? Quais os paradoxos relacionados à uma viagem desse tipo? Essas são perguntas que guiarão meus prováveis próximos artigos. Espero que gostem.
Por ora, pensemos no ano novo. Não raro, o homem cria escalas para medir o universo e - por que não - controlá-lo. Com o tempo, não é diferente. Quarksegundos, nanosegundos, meses, semanas, anos. Mas como admitir que, ‘oficialmente’ um certo espaço de tempo se inicia, senão por pura comodidade? Por que o ano dois mil e oito começará justamente na zero hora do dia primeiro? (Certo, a pergunta pode ter parecido um tanto quanto estúpida, mas analisemos.) E se o ano começasse a ser medido em outro ponto da órbita da terra ao redor do sol? E se o primeiro mês fosse março? Talvez o nome dos meses (setembro - que seria então o sétimo mês; outubro - o oitavo; novembro, o nono e dezembro, o décimo) fizessem mais sentido.
Meu ponto é o seguinte: Faz bem comemorar o ano novo. É divertido e saudável. O que não é bom é alienar-se a uma percepção do tempo completamente criada e manipulada pelo ser humano, e ainda frustrar-se por isso. ‘Mais um ano se passou e não fiz o que queria’. Ora, as coisas levam tempo, e levam o tempo necessário pra serem o que serão. Se algo precisa de um ano, dois ou cem para realizar-se, este é o tempo que deverá levar; e se em vez de marcarmos o tempo de um ano a partir de uma volta completa ao redor do sol marcássemos a partir de cada alinhamento com Marte, faríamos promessas para realizarmos nos 43.719 anos seguintes, e ainda assim, frustraríamo-nos.
Medidas de tempo foram criadas para organizar e ajudar, não para escravizar, por isso relaxe!
Daniel Contage”